Machu Picchu – Sua misteriosa e mágica atmosfera

Céu limpo e azulzinho, redondeza caprichada no verde da vegetação típica, montanhas pontiagudas e na primeira curva que fazemos a pé, do portal de acesso até o encontro das esperadas ruínas, como que iniciando um sonho, névoas baixas passam por Machu Picchu e abre este belíssimo cenário para, pela primeira vez, conhecermos seu charme e seus detalhes. Exatamente assim, foi minha experiência ao ver aquelas incríveis e curiosas ruínas de Machu Picchu. Estávamos no berço da civilização Inka. E vou te contar alguns detalhes relevantes e outros curiosos…

A viagem para Machu Picchu precisa ser programada com antecedência, pois só é permitido 2500 visitantes por dia. No verão, chove demais por lá. Portanto, a melhor época para esta viagem é ir de maio a setembro, no inverno. Isso porque durante o período chuvoso, obviamente existe risco de deslizamentos de terra. A quantidade de chuvas aliada ao fato de que Machu Picchu foi construída à beira de precipícios e ainda ao grande fluxo de turistas que visitam o local diariamente, tem colocado em risco as construções. Estima-se que o terreno esteja se movendo 1 cm por mês em direção ao abismo. Devido à instabilidade do terreno o risco de desabamento é grande e este é mais um motivo para você visitar Machu Picchu o quanto antes.

Em altas temporadas como em julho, mês que fui, costumam esgotar datas. Então, fica a dica: acesse o http://www.machupicchu.gob.pe e compre seu ingresso o quanto antes. No lado esquerdo desta página, você terá que escolher visitar Machu Picchu apenas, ou Machu Picchu com Waynapicchu ou, Machu Picchu com Montaña. Se estiverem interessados em uma visão espetacular e privilegiada de Machu Picchu e se estiverem preparados fisicamente, pois são trilhas de moderado esforço, escolham uma das montanhas para subir.

Waynapicchu é a montanha localizada na frente das ruínas e a mais significativa ou icônica de Machu Picchu. Esta localizada há 2.693 metros de altitude. Seu acesso é através do setor de Huayranas (Rocha Sagrada). A visitação é limitada em 400 pessoas por dia, divididas em dois grupos que devem sair, o primeiro grupo de 07 às 08 horas e o segundo grupo, das 10 as 11 horas. Até chegar ao cume de Waynapicchu deverão passar por penhascos, áreas cobertas por vegetação e caminhos estreitos.

A Montaña está localizada no lado sul das ruínas ou lado oposto de Waynapicchu, em uma altitude de 3082 metros. O caminho é menos íngreme comparado com o caminho de Waynapicchu. Sua visitação está limitada a 800 pessoas por dia.

O nome Machupichu tem duas traduções de diferentes autores. A tradução costumeira é que Machupichu, significa Montanha Velha. Machu na língua quéchua significa velho ou ancestral. Porém, não se encontra tradução para pichu no dicionário quéchua. Para os irmãos Elorrieta, o nome original é Machu Pichiu, que significa Ave Ancestral. Este nome estaria diretamente relacionado ao projeto arquitetônico desta cidade Inka, que representa uma ave ancestral, o condor andino.

De acordo com evidências arqueológicas, a cidade de Machu Picchu foi construída em meados do século XV d.C. Era um espaço sagrado, onde funcionava uma instituição relacionada ao Tambo-T’oqo (templo da Sabedoria). Portanto, só vivia no local pessoas da elite Imperial, que eram os Amautas (sábios ou professores), Mamakunas (professora), astrônomos, sacerdotes, sacerdotisas e rapazes jovens aspirantes ao sacerdócio ou ao poder político de Tawantinsuyo (nomenclatura original para o que conhecemos como Império Inka). Escolheram para construir Machu Picchu nas altas montanhas dos Andes e começo da selva Amazônica peruana devido, a existência de um manancial que seria essencial para a subsistência, abundância de material de construção (pedreiras de granito), sua localização protegida (para manter-se livre de visitantes indesejados) e devido, seu clima agradável e saudável, que potencializa o aproveitamento de produtos tropicais. Também, vale ressaltar que a localização está em uma geografia sagrada, que representa um ambiente especial propício a espiritualidade.

Figura 4

Existe na cidade Inka construções de dois setores distintos: o setor agrícola e o setor urbano. O setor agrícola é composto por centenas de terraços, construídos em áreas de encosta íngreme e representam cerca de 60% de toda a área construída. Neste setor existe alguns monumentos curiosos a observar. Como a rocha funerária, que é um bloco de granito esculpido a maneira de um altar, para ritos funerários ou utilizado para sacrifícios, rituais, cura e oferenda a Pachamama. Ao redor desta rocha encontram-se pedras, que são as apachetas. Apachetas pode ser pedra trazida pelos peregrinos que vinham de diferentes lugares dos Andes para Machupichu, na época Inka, colocando-a neste lugar como sinal de presença física nesta sagrada cidade. Segundo a tradição andina contemporânea, quando se visita um lugar sagrado, têm que levar uma pedra e deixar em um ponto especial, chamado Apacheta, esperando receber proteção e benefícios dos entes sagrados do lugar.

As plataformas agrícolas, construídas nas encostas, além de servir para a produção agrícola, servem no controle de erosão. Sua estrutura corresponde de uma parede de retenção preenchida de camadas de rochas (que funcionam como suporte), cascalhos (que possibilita a drenagem da água permitindo que as raízes tenham umidade adequada e não apodrecem), areia (que serve de filtro para evitar que os nutrientes se percam na hora da água passar para o nível mais baixo) e húmus (que serve para fornecer nutrientes para o cultivo).

A casa do vigilante, localizada acima de plataformas agrícolas, corresponde de uma guarita de três janelas, coberta com teto de palha. Deste ponto, se tem uma visão panoramica de Machu Picchu e de Waynapicchu.

No setor urbano, vale destacar as instituições para a educação formal, que eram a Casa do conhecimento para homens e o Templo das Virgens para as mulheres. Na casa do conhecimento educavam varões que tinham talento para se tornarem futuros líderes do Império. Desde pequena as crianças eram observadas em seus atos livres, quando demonstravam inteligência e interesse natural pelo conhecimento, politica ou espiritualidade. Aprendiam a ser homens fortes, sábios e de espiritualidade superior (o que essencialmente significa ser Inka).

No Templo das Virgens do Sol ou Ajlla Wasi (casa das escolhidas), todo local é cercado por um muro de parede fina, em seu interior têm grandes recintos, onde viviam as Mamakumas (professoras) e as Ajllas (Virgens do Sol ou noviças) que realizavam atividades monásticas além de suas tarefas domésticas. As ajllas eram donzelas escolhidas desde meninas por seu talento e beleza física, aprendiam práticas de rituais, cânticos, orações, medicina e tarefas domésticas. O objetivo fundamental da educação era alcançar o maior nível, se tornando Qoyas (mulheres fortes e bonitas, bem informadas sobre todas as coisas e capaz de falar com Deus).

Tanto os Yachays quanto as Ajllas deveriam praticar a castidade entre outras virtudes que permitiam alcançar um elevado nível espiritual de Inka (Rei) ou de Qoya (Rainha).

Conseguiu perceber o quanto o Império Inka é curioso? Por isto a cidade Inka é até hoje, palco de estudos. Percebeu o quanto eles eram evoluídos? Como levaram todo aquele granito para o local, como empilharam as rochas umas em cima de outras? Podem ter certeza que, estas e diversas outras perguntas, sairão de Machu Picchu com você. Mas isto, só instiga ainda mais nosso desejo de conhecer de perto esta riqueza histórica e cultural, não é? Foi assim comigo, e confesso, ainda é. Por isto, pretendo retornar!

Óbvio que, não é necessário descrever tudo sobre Machu Picchu neste post. Fiz apenas apresentação do que julguei relevante. Outros diversos monumentos merecem também sua atenção, maiores detalhes sobre a economia, o trabalho, sistema social, a religião, a saúde entre outras, podem ser mais bem explicados pelos guias turísticos, que podem ser contratados individualmente ou em grupo. Se tiverem interesse neste serviço, não se preocupem, provavelmente serão abordados por guias oferecendo estes pacotes, em Águas Calientes ou na entrada de acesso a Machu Picchu.

A viagem para conhecer a cidade perdida de Machu Picchu, além de enche-los de conhecimento cultural e histórico sobre os Inkas, também encherão seus corações de um sentimento mágico e encantador, transmitido pela atmosfera misteriosa do local. Vocês retornarão deste lugar, com a certeza de que conheceu um lugar com elevado grau de espiritualidade, capaz de envolver qualquer visitante, independente de sua crença.  Por isto, eu repito. Visite o quanto antes, esta incrível e misteriosa atmosfera de Machu Picchu!

E se quiser ver um pouco de Machu Picchu e de minha viagem, acesse este vídeo https://youtu.be/NmuU-JA-gSM

 Esse texto e fotos são de autoria e responsabilidade da Juliane Dilly. Para saber mais sobre ela acesse: 

Blog: viagensdajudilly.wordpress.com 

Fanpage: Viagens com Jú Dilly 

Instagram: @viagensdajudilly 

Snapchat: JullyDilly

2 comentários sobre “Machu Picchu – Sua misteriosa e mágica atmosfera

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